O Dia Internacional da Proteção de Dados é mais do que uma data comemorativa. Ele representa um convite à reflexão sobre como as organizações utilizam dados pessoais em um cenário de intensa transformação digital. Processos tornaram-se digitais, decisões passaram a ser orientadas por informações e tecnologias como automação e inteligência artificial se incorporaram ao cotidiano corporativo. Nesse contexto, proteger dados não é apenas cumprir a lei, mas construir ambientes digitais mais conscientes, éticos e sustentáveis.
É nesse ponto que o programa de privacidade assume um papel central. Diferentemente de ações isoladas ou pontuais, o programa organiza a forma como a empresa enxerga, trata e protege dados ao longo de toda a sua operação. Ele transforma princípios legais em práticas reais, conecta áreas, define responsabilidades e cria critérios claros para o uso da informação. O resultado é a substituição do improviso por método, da reação por planejamento e da informalidade por governança.
Na prática, um programa de privacidade bem estruturado atua como elemento integrador dentro da organização. Ele aproxima áreas jurídicas, tecnológicas, assistenciais, administrativas e de gestão em torno de um objetivo comum: o uso responsável dos dados pessoais. Essa integração fortalece processos, reduz riscos e promove decisões mais alinhadas aos valores institucionais, criando um ambiente digital mais seguro e coerente.
Além da organização dos processos, o impacto cultural é um dos maiores ganhos do programa de privacidade. A proteção de dados deixa de ser vista como responsabilidade exclusiva de uma área ou de um profissional específico e passa a fazer parte do comportamento diário das pessoas. Cada colaborador, ao compreender seu papel no uso e no acesso às informações, contribui para a construção de uma cultura de cuidado, respeito e responsabilidade.
No contexto atual, marcado pelo uso crescente de tecnologias avançadas e inteligência artificial, essa estrutura se torna ainda mais relevante. A inovação exige critérios, avaliação de impactos e governança. Programas de privacidade bem conduzidos oferecem o suporte necessário para que a tecnologia seja utilizada de forma ética, transparente e alinhada aos direitos dos titulares, evitando que ganhos operacionais se sobreponham à proteção das pessoas.
A HDPO atua na implementação de programas de privacidade com essa visão: não como um fim em si mesmo, mas como um instrumento de transformação organizacional. No Dia Internacional da Proteção de Dados, o convite é claro: refletir sobre práticas, fortalecer a governança e compreender que um programa de privacidade bem estruturado é a base para um ambiente digital corporativo consciente, integrado e preparado para o futuro.
Autor: João Gonçalves Advogado em Direito Digital, e Gestor em Saúde com mais de 25 anos de experiência em saúde, compliance e proteção de dados. CEO da HDPO LGPD em Saúde e Diretor da PROTEGON, lidera projetos estratégicos de governança, segurança da informação e adequação à LGPD em hospitais, operadoras de planos de saúde e empresas de tecnologia. Com forte atuação na implementação de programas de privacidade, João também ministra treinamentos e palestras sobre cibersegurança, inteligência artificial e privacidade de dados, sendo referência na área.

