Opções de privacidade

Janeiro chegou. Seu Programa de Privacidade também?

O início do ano costuma ser marcado por planejamento, revisão de metas, definição de orçamento e reorganização de prioridades. É quando gestores avaliam o que precisa avançar, o que deve ser ajustado e o que não pode mais ser adiado. Nesse contexto, uma pergunta simples e incômoda precisa ser feita: seu Programa de Privacidade entrou no ano novo junto com a empresa?

Para muitas organizações, a resposta honesta é não.

A LGPD não se comporta como um documento arquivado ou um projeto encerrado. Ela acompanha o negócio. E o negócio muda o tempo todo. Pessoas entram e saem, sistemas são substituídos, fornecedores são contratados, estratégias comerciais evoluem, integrações tecnológicas surgem. Cada uma dessas mudanças impacta diretamente o tratamento de dados pessoais.

Quando o Programa de Privacidade não é revisitado no início do ano, ele começa desatualizado. E um programa desatualizado não é apenas ineficiente, ele é arriscado.

Um dos erros mais comuns nas organizações é confundir adequação com sustentação. O projeto foi feito, os documentos foram entregues, as políticas foram publicadas. A sensação de dever cumprido se instala. Mas a LGPD não reconhece esse conforto.

A lei exige revisão contínua, capacidade de resposta ao titular, governança sobre consentimentos, controle de documentos, evidências de decisões e prevenção de riscos. Nada disso permanece válido automaticamente de um ano para o outro.

Se o Programa de Privacidade não foi revisado, ele não acompanhou a empresa. E se não acompanhou, deixou lacunas.

Janeiro é, estrategicamente, o melhor momento para testar a maturidade do Programa de Privacidade. É quando perguntas essenciais precisam ser respondidas:

  • O mapeamento de dados ainda reflete a operação atual?
  • Os responsáveis pelos processos continuam os mesmos?
  • Os consentimentos coletados ainda fazem sentido?
  • O canal de atendimento ao titular está estruturado?
  • As políticas e procedimentos foram revisados?
  • Existe histórico e evidência das decisões tomadas no último ano?

Quando essas respostas não são claras, o problema não é falta de esforço. É falta de governança.

Ao longo do ano, a rotina engole o programa. A LGPD passa a depender de uma ou duas pessoas específicas, geralmente sobrecarregadas. O conhecimento fica concentrado, os controles ficam dispersos e as decisões deixam de ser registradas. A organização entra no modo reativo: responde quando o problema aparece.

Esse modelo é frágil. A privacidade não pode depender da memória institucional, da boa vontade individual ou de controles paralelos. Ela precisa de estrutura, método e acompanhamento contínuo.

Adequar é essencial. Sustentar é estratégico. Um Programa de Privacidade maduro não é aquele que “já foi feito”, mas aquele que funciona mesmo quando nada está acontecendo. Ele está preparado para responder a um titular, a uma auditoria, a um incidente ou a uma mudança de cenário.

No início do ano, a pergunta não deveria ser “precisamos adequar de novo?”, mas sim: nosso programa está vivo, atualizado e governado?

Janeiro não é apenas um novo mês no calendário. É um marco de responsabilidade. Um Programa de Privacidade que não é revisado no início do ano entra em fevereiro com risco acumulado e em dezembro com fragilidade institucional.

A LGPD não espera o próximo projeto, a próxima fiscalização ou o próximo incidente para cobrar maturidade. Ela exige continuidade.

Se janeiro chegou, o Programa de Privacidade também precisa chegar. Não como promessa, mas como prática viva, integrada e sustentada ao longo de todo o ano.

Autor: João Gonçalves Advogado em Direito Digital, e Gestor em Saúde com mais de 25 anos de experiência em saúde, compliance e proteção de dados. CEO da HDPO LGPD em Saúde e Diretor da PROTEGON, lidera projetos estratégicos de governança, segurança da informação e adequação à LGPD em hospitais, operadoras de planos de saúde e empresas de tecnologia. Com forte atuação na implementação de programas de privacidade, João também ministra treinamentos e palestras sobre cibersegurança, inteligência artificial e privacidade de dados, sendo referência na área.

Autor: João Gonçalves Advogado em Direito Digital, e Gestor em Saúde com mais de 25 anos de experiência em saúde, compliance e proteção de dados. CEO da HDPO LGPD em Saúde e Diretor da PROTEGON, lidera projetos estratégicos de governança, segurança da informação e adequação à LGPD em hospitais, operadoras de planos de saúde e empresas de tecnologia. Com forte atuação na implementação de programas de privacidade, João também ministra treinamentos e palestras sobre cibersegurança, inteligência artificial e privacidade de dados, sendo referência na área.

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